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Indústria paulista continua contratando 16/04/2010

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Autor(es): Fernando Taquari, de São Paulo

Valor Econômico – 04/2010

Puxado pelos setores de açúcar e álcool, o nível de emprego na indústria paulista de transformação deve repetir em maio o ritmo expressivo de contratações registrado em abril e março.

No mês passado foram criados 45 mil postos de trabalho, o que representou um crescimento de 1,37% em relação a fevereiro na série com ajuste sazonal, de acordo com dados divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Trata-se da melhor variação percentual desde dezembro de 2006, quando o indicador avançou, na mesma base de comparação, 1,43%. Sem ajuste, a expansão foi de 2,05%, configurando também o maior avanço desde abril de 2008. Assim como em fevereiro, a alta no nível de emprego foi impulsionada pelos setores de açúcar e álcool, que sozinhos, responderam por 60,76% das contratações realizadas em março.

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, afirmou que os dois segmentos continuarão em forte expansão nos meses de abril e maio e só depois entrariam num período de estabilidade.

No primeiro trimestre, o emprego na indústria paulista registrou um aumento de 3,66%, com a criação de 79 mil postos de trabalho. Em termos percentuais, foi a maior variação para o período desde 2006. Em relação a março de 2009, houve um crescimento de 1,64%.

“Os números realmente são muito positivos. Sabemos, no entanto, que será difícil manter esse ritmo ao longo do ano, mas espero que continue por mais alguns meses”, disse Francini, que condicionou a continuidade na expansão do emprego à manutenção da taxa Selic, pelo Banco Central, em 8,75%.

Dos 22 setores pesquisados, 20 realizaram mais contratações, enquanto dois permaneceram estáveis. “Podem procurar, mas vocês não vão encontrar um resultado mais favorável do que esse na série histórica”, disse.

Mesmo com a perspectiva positiva, Francini manteve a estimativa de 6,2% para o nível de emprego na indústria paulista em 2010, com a criação de 140 mil vagas. Neste caso, as perdas com a crise financeira mundial só seriam zeradas no começo de 2011. “Apesar do dado forte registrado em março que poderia alterar o cenário, não vamos, por enquanto, mexer nas previsões.”

Empresas já importam funcionários 16/04/2010

Posted by Jacqueline Maia in Notícias.
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De Naiana Oscar – O Estado de S.Paulo –03 de abril de 2010

Falta de mão de obra qualificada leva companhias a recrutar pessoal no exterior e criar cursos universitários para treinar funcionários.

O apagão de mão de obra qualificada no Brasil fez as grandes empresas nacionais se mexerem para tentar preencher vagas e evitar, num futuro próximo, um blecaute generalizado. A maior aposta é na formação, por conta própria, de profissionais especializados, por meio de universidades corporativas ou em parceria com instituições de ensino.

Quem não tem tempo para criar esse funcionário está à caça de mão de obra pronta no mercado brasileiro e lá fora ? numa movimentação considerada inédita, e que guarda apenas semelhanças com o que se viu na época da abertura econômica. Um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) estima que quatro setores, entre eles o de construção civil, terão dificuldades para preencher 320 mil vagas destinadas a profissionais com qualificação e experiência em 2010.

Pós-graduação na Vale. Na Vale, a procura principalmente por engenheiros fez a companhia retomar e intensificar programas de recrutamento, que estavam suspensos havia dois anos. “Em alguns casos, temos vagas, precisamos deles, mas não encontramos os profissionais”, disse a gerente de Atração para Seleção de Pessoas da mineradora, Hanna Meirelles.

Na semana passada, a Vale anunciou um processo seletivo para contratação de 51 engenheiros. Eles serão treinados para gerir novos projetos. É a primeira vez que a empresa oferece um curso de pós-graduação desse tipo para novos funcionários ? o que explica a novidade é a cifra de US$ 13 bilhões reservada a novos projetos nos próximos cinco anos.

No ano passado, a Vale já havia desenvolvido um programa de especialização nas áreas de mineração, ferrovia e portos. Não existem cursos de ensino superior para essas duas últimas áreas no Brasil. Por isso, a Vale formou gratuitamente os 120 engenheiros, sem o compromisso de contratá-los, mas acabou absorvendo 100% deles.

Rafael Ribas, de 25 anos, está nesse grupo. Deixou o mundo das telecomunicações, para o qual havia se preparado durante cinco anos, e começou a trabalhar numa ferrovia em São Luís do Maranhão, depois que passou pelo curso da Vale. “Coloquei na cabeça que seria um engenheiro ferroviário para trabalhar numa área que, sem dúvida, vai crescer muito nos últimos anos.”

AmBev treina 32 mil pessoas. A preocupação da AmBev em driblar o apagão de mão de obra também se reflete na formação interna. No ano passado, a cervejaria investiu R$ 16,3 milhões em sua universidade corporativa, que resultou no treinamento de 32 mil pessoas ? o número supera a própria quantidade de funcionários da AmBev, hoje em 24 mil.

“É uma maneira de acelerar o desenvolvimento desse profissional na empresa e suprir mais rapidamente possíveis lacunas em cargos de gerência”, afirmou Thiago Porto, diretor de gestão de pessoas da cervejaria. Segundo ele, a universidade terá mais R$ 20 milhões esse ano.

Em 2009, a busca por novos talentos na AmBev fez a companhia selecionar um número recorde de 60 trainees e ir à caça de estudantes brasileiros nas melhores universidades dos EUA. Na da Pensilvânia, conseguiu reunir cerca de 50 alunos para apresentar a empresa. O convite para a palestra chegou por e-mail: “Atenção estudantes brasileiros, AmBev está na Universidade à procura de estagiário”.

O carioca Marcelo Mansur, que cursa engenharia química na universidade, não fazia planos de voltar ao Brasil, mas foi seduzido. “Quando você vai procurar trabalho aqui parece que o empregador está te fazendo um favor. A AmBev, ao contrário, estava nos convidando.”

De encontros como esse, a empresa selecionou sete alunos para um estágio de verão, entre eles Mansur. Todos acabaram contratados depois da temporada de três meses no Brasil e assumem seus postos até o fim do ano, assim que concluírem a graduação.

Expatriados da Accenture. Com 7 mil funcionários no Brasil e 574 vagas abertas no mercado, a Accenture, consultoria multinacional em serviços de tecnologia e gestão, já estuda a possibilidade de trazer profissionais de sua unidade espanhola para atuarem no País.

O principal executivo da área de gestão de talentos da companhia, Rodolfo Eschenbach Júnior, começou a separar nos últimos três meses currículos de brasileiros que estão fora do Brasil, dispostos a voltar. “Fomos pegos de surpresa. Não chegamos a sofrer tanto com a crise, mas também ninguém esperava essa aceleração”, disse.

A necessidade de profissionais prontos fez o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, buscar soldadores no Japão. Desde dezembro, a empresa tenta contratar 200 dekasseguis para poder atender a tempo as encomendas da Transpetro e da Petrobrás.

A falta de mão de obra qualificada abalou até a sólida política de formação de profissionais da construtora Odebrecht, que tradicionalmente alimenta os cargos de gerência com colaboradores que começaram na empresa ainda como estagiários. “A estratégia única de formar em casa já não atendeu a demanda, tivemos de contratar recursos mais maduros e agilizar a aculturação”, afirmou Antônio Rezende, responsável por Pessoas e Desenvolvimento, funcionário da construtora há três décadas.

Entre 2007 e 2009, 1.097 profissionais foram trazidos da concorrência. Para “aculturá-los”, a companhia desenvolveu um curso específico com duração de seis meses, que prevê sessões individuais com programas interativos de leitura e compreensão de textos.

Para ampliar o quadro de futuros executivos, a Odebrecht fará mudanças no programa de estágio deste ano. A empresa quer contratar estudantes no período de férias, com a intenção de levá-los para obras no interior e em outros Estados.

“A questão fundamental para o engenheiro é a prática e é isso que precisamos proporcionar”, disse Rezende.