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Oportunidades boas para o Brasil 25/06/2010

Posted by Jacqueline Maia in Notícias.
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Os dados de investimento da economia brasileira, da expansão do crédito, do aumento da massa salarial e do emprego mostram que não há razões para temer um crescimento acima de 6%. As teorias sobre PIB potencial são mais palpite do que matemática

Por Hugo Cilo  – Revista Isto É – Título original: Exuberância Nacional

Em 1996, Alan Greenspan, então presidente do Banco Central americano, cunhou a expressão “exuberância irracional” para definir a fantástica – e artificial – valorização das ações das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, antes do estouro da bolha em 1999. Como ele acertou na previsão, a expressão emplacou no fim da década passada.

Desde então, o termo estava em quase desuso. Estava, mas voltou. Na semana passada, depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificar como “exuberante” o crescimento de 9% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, o segundo melhor resultado mundial entre as grandes economias depois da China, economistas voltaram a dizer que o País corre o risco de viver um ciclo de crescimento desenfreado, algo semelhante à exuberância irracional de Greenspan. Mas será que essa teoria se aplica para a atual realidade do País?

Vários indicadores mostram que não. Bem diferente do que ocorreu no mundo com as recentes bolhas geradas pela especulação nos mercados financeiros, o crescimento robusto da economia brasileira tem fundamentos concretos. O aumento da oferta de crédito, que representava 34% do PIB em 2005 e hoje já supera 53%, sustenta o consumo e dá fôlego às empresas.

A taxa de desemprego em 7,2% – menor do que nos Estados Unidos e na maioria das economias europeias e latino-americanas – coloca o País num patamar de destaque no cenário dos maiores consumidores do mundo e, de quebra, inclui 40 milhões de pessoas (o equivalente à população da Argentina) no mercado de consumo. O País já é, por exemplo, o segundo em vendas de computadores e o quarto em veículos, atrás apenas de Estados Unidos, Japão e China.

Por que, afinal, o medo de crescer não faz sentido? Porque o principal argumento para tentar esfriar a economia, o risco de inflação, não tem origem na indústria, mas surgiu no início do ano de fatores sazonais. A disparada dos preços dos alimentos, o aumento das mensalidades escolares e o reajuste das tarifas de transporte público – fatores que não têm nenhuma relação com a produção industrial – foram os responsáveis pela alta dos preços. Não por acaso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem exaustivamente tentado esconder o crescimento do País, como se isso fosse algo nocivo.  Mas, evidentemente, não é.

As projeções sobre a capacidade de crescimento da economia brasileira estão longe de ser uma ciência exata. “Esse cálculo é muito mais intuitivo do que matemático”, reconhece o economista João Ildebrando Bocchi, diretor da PUC-SP e autor do livro Desafios para o Brasil – Como Retormar o Crescimento Econômico Nacional.

A julgar pelo retrospecto, os especialistas andam com a intuição descalibrada. Menos de uma década atrás, grandes economistas brasileiros afirmavam que a expansão do PIB não poderia passar de 3%. Passou. Nos últimos três anos, em especial antes da crise, diziam que o teto seria entre 4% e 4,5% para não gerar inflação. Erraram de novo.

Em 2007, o PIB avançou 5,4% sem perder o controle da inflação e, em 2008, subiu 5,1%. Hoje, o PIB potencial roda na casa de 6%, segundo economistas, mas já se prevê uma expansão acima de 7,5%, como projeta o Itaú Unibanco. “A expansão do PIB não é fato isolado porque está forte em todos os setores da economia brasileira”, afirma o economista-chefe do banco, Ilan Goldfajn. “O crescimento no primeiro trimestre no Brasil só não foi melhor que o da China. Imaginar para o País um PIB acima de 7,5% não é nenhum espasmo.”

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o atual ciclo de expansão do PIB está realmente longe de um espasmo, e tem sido puxado principalmente pela combinação entre aumento da capacidade de produção da indústria e explosão dos investimentos. “O Brasil está dinâmico e preparado para crescer forte”, diz o diretor do Iedi, Júlio Gomes de Almeida.

“Como crescimento no País é algo raro, muitos agora duvidam da nossa capacidade”, completa ele. A taxa de investimento no País está em trajetória crescente. Em 2009, o percentual de investimento em relação ao PIB foi de 16,7%, passou para 19% neste ano e deve chegar a 23% em 2012, segundo projeções do Banco Mundial. Entre 2010 e 2013, estão previstos investimentos da ordem de R$ 1,3 trilhão, de acordo com mapeamento do BNDES. O setor de petróleo e gás será a locomotiva desses investimentos, com  R$ 340 bilhões. O setor de infraestrutura vem logo atrás, com R$ 310 bilhões nos próximos três anos.

Com esse vultoso volume de investimento, apesar de certo ceticismo entre economistas em relação ao crescimento do País, muitos investidores internacionais já não duvidam da capacidade de expansão do Brasil. Nos cálculos do Banco Central, os investimentos estrangeiros diretos deverão superar US$ 45 bilhões em 2010, o melhor resultado em 63 anos.

O maior volume até agora, atingido em 2008, antes da crise internacional, foi de US$ 43,9 bilhões. “O potencial de crescimento da economia tem atraído investimentos de toda parte do mundo. E estes são investimentos de médio e longo prazo”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima. “O Brasil pode, sim, crescer muito acima de seu PIB potencial”, garante o presidente da Alstom Brasil, o francês Philippe Delleur.

A afirmação dele se traduz em investimentos. A Alstom tem participado de quase todos os projetos hidrelétricos da região amazônica, além de estar em processo de fabricação de locomotivas para transporte público em várias partes do País. Nos últimos dois anos, a companhia desembolsou R$ 90 milhões para produzir turbinas de hidrelétricas em Rondônia, R$ 50 milhões para geradores eólicos na Bahia e R$ 550 milhões na automatização do metrô paulistano. As razões que inspiram a Alstom a investir no País são as mesmas que motivam a alemã Siemens. Em dez anos, a companhia colocou R$ 1,5 bilhão em setores ligados à infraestrutura no País.

Mesmo fora da órbita dos investimentos industriais, que dispararam 133% no primeiro trimestre de 2010, segundo o Ministério do Desenvolvimento, o discurso de que o Brasil não pode crescer é cheio de contradições. O BC, em ata divulgada após a elevação de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, diz que há indícios de descompasso entre oferta e demanda.

O mesmo relatório, no entanto, destaca um recuo da inflação a partir do início de abril e enfatiza uma acomodação no ritmo do consumo – o que derruba o argumento utilizado para elevar os juros. No caso da inflação, o próprio BC reduziu de 5,64% para 5,61% a estimativa para o ano. Uma outra informação que derruba a ideia de desequilíbrio entre oferta e demanda é o nível de utilização da capacidade instalada, que está acomodada em 83%, segundo a CNI. “Não há uma trajetória explosiva do aumento do consumo. Pode até subir ou descer, mas vai continuar acomodado”, diz Flávio Castelo Branco, da CNI.
Esse aumento da capacidade está diretamente relacionado aos investimentos. Um exemplo disso é a Companhia Siderurgia do Atlântico (CSA), da ThyssenKrupp, no Rio de Janeiro, que entrou em operação na sexta-feira com investimentos de US$ 8,3 bilhões. A unidade elevou em 40% toda a produção nacional de laminados.

A tese de expansão descontrolada definitivamente não tem espelhado a realidade de diversos setores da economia brasileira. Para ilustrar o descompasso entre as teorias econômicas sobre PIB potencial e o que pode observar na economia real, João Ildebrando Bocchi, diretor da PUC-SP, faz a seguinte comparação: “Quando temos cinco cabeças e quatro chapéus, mandamos produzir mais um chapéu. Aqui no Brasil, a julgar pela decisão do BC de aumentar os juros e o medo de crescer, manda-se cortar uma cabeça.”

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