jump to navigation

Brasil tem os maiores salários no mundo dos executivos 05/03/2012

Posted by anacaroline2 in Editorial.
trackback

Onde um Executivo Sênior mais custa? No Brasil. De acordo com estudos realizados pela Associação de Executive Search Consultants (AESC), altos executivos e diretores de empresas ganham mais na capital de São Paulo, do que em Nova Iorque, Cingapura, Londres ou Hong Kong (Veja no gráfico ao lado). As pesquisas comparam salários base, mas os bônus no Brasil também são generosos e a comparação acaba subestimando o custo de contratação no Brasil. O imposto sobre a folha de pagamento está entre os maiores do mundo.

Dentre os pesquisados estão CEO’s e executivos de empresas de uma forma geral no Brasil e que estão na faixa entre 1.000 e 15.000 funcionários.

No mercado financeiro do Brasil é onde estão os maiores salários. Lembrando que a remuneração variável no Brasil é representativa, chegando algumas vezes até a 23 salários extras por ano.  E um fato curioso é que nesta pesquisa os entrevistados pensavam que o Brasil estaria entre os últimos lugares em níveis salariais. Enquanto alguns bancos de investimento, como o UBS e o Citibank estão contratando agressivamente no Brasil, o Deutsche Bank está mudando algumas posições para centros de baixo custo, como em lugares nos Estados Unidos. Isso soa um pouco irônico, mas o custo de pessoal qualificado no Brasil agora é considerado muito alto por Instituições Financeiras, como o Deustche Bank declarou recentemente no Fórum Econômico Mundial no Rio de Janeiro.  Sem dar detalhes, o Deustche Bank Brasil mudou várias posições para seu escritório em Jackonsville, na Flórida.  Em um comentário, um Diretor do Banco comentou que “nunca trabalhou em um lugar tão vibrante, tão cheio de oportunidades de negócios. Ainda assim, os altos salários procurado por muitos profissionais qualificados (mas também muito jovens) no Brasil são irrealistas”. Em um exemplo, um jovem de 24 anos de idade, brasileiro, funcionário do Deutsche em São Paulo recentemente deixou o banco para se juntar a outra instituição de investimento por um salário estratosférico anual de R$ 350.000 ao ano.

O Deustche Bank está ecoando uma queixa apresentada por várias empresas locais e estrangeiras que operam no Brasil, onde a combinação de uma economia em expansão, moeda forte, aumento da inflação e a escassez de pessoal qualificado está retirando do país uma das tradicionais vantagens comparativas: menores custos relativos. O Brasil costumava ser um centro mais barato de manufatura e serviços, quando comparado com os EUA e Europa segundo Frederico Fleury Curado, presidente da fabricante de aviões Embraer.

Para se ter uma ideia, de acordo com o estudo, um diretor de uma empresa em São Paulo teve, em 2011, remuneração média de 243 mil dólares anuais. Um profissional com a mesmo cargo em Nova York recebeu salário anual de 213 mil dólares. Em Hong Kong, a remuneração média foi de 97 mil dólares – quase três vezes menos do que o oferecido no Brasil.

Parte da razão dessa grande remuneração de executivos é a crescente demanda por profissionais, em todos os níveis. Brasil, China e Índia estão vendo um forte crescimento do emprego. Mas a diferença entre oferta e demanda é gritante no Brasil. Onde 64% dos recrutadores encontram dificuldade para preencher as vagas. Contra 40% na China e 16% na Índia.

Gerentes com alguma especialização técnica avançada e boa formação acadêmica são raros no Brasil. A constante descoberta de novas jazidas de petróleo e planos de ampliação da infraestrutura no país significam demanda crescente, mas no Brasil existem apenas 35.000 novos engenheiros formados por ano para atender uma demanda de 60.000. Na Índia formam-se 250.000 anualmente e na China 400.000.

A força da moeda brasileira alavanca artificialmente a posição dos salários no Brasil em comparações internacionais. Mas mesmo em Reais, o salário dos executivos vem crescendo dois dígitos por ano. Os gerentes seniores na China e Índia estão desfrutando ganhos semelhantes, mas a partir de uma base menor. As multinacionais que costumavam executar suas operações a partir de Miami, México ou Buenos Aires, em sua maioria deslocaram-se para São Paulo; China e Índia ainda são muitas vezes supervisionados por Singapura ou Hong Kong, apesar de Xangai está se tornando mais popular. Além de tudo isto, a onda de aquisições estrangeiras e incursões no exterior por parte das empresas brasileiras, tem aumentado a demanda por gerentes com experiências internacionais (o que aumenta ainda mais seus salários).

A solução encontrada por algumas multinacionais tem sido fortalecer a própria base de talentos. Muitas destas empresas acreditam que os funcionários brasileiros tendem a ser leais, o que faz com que estas empresas ofereçam generosos planos de retenção de talentos (planos de desenvolvimento de carreira e benefícios) e sejam menos atingidas pela falta de talentos. Mas essa lealdade também tende a inflar os salários no mercado pois os planos de retenção podem custar caro. É fato que se você quiser seduzir um brasileiro a mudar de emprego você tem que lhes oferecer muito mais dinheiro para que valha a pena ele deixar o seu “pacote” de remuneração. Na China, esta mudança de emprego acontece apenas por um pouco mais.

Em outras palavras, em solo brasileiro, os salários são maiores que em outras capitais de negócios, mas o tamanho do abacaxi que cada executivo tem que descascar também é grande. Esse cenário exige, segundo ele, profissionais mais experientes e com uma senioridade elevada.

Para acrescentar, as jornadas de trabalho também são mais altas do que as vivenciadas por executivos nos países pesquisados. As 8 horas padrão de expediente não são suficientes para o montante de trabalho que os executivos têm aqui. Em média nós Brasileiros trabalhamos 12 horas por dia (fora dos padrões internacionais).

Os maiores beneficiados da guerra por talentos do Brasil são provavelmente os seus gestores expatriados e Brasileiros, que vivem no exterior, voltando para casa.

Até a próxima Edição!

Pedro Carvalho

Centro de Carreira dos Ex-Alunos da GV

Partner – in-sight® Executive Search & Recruting

Fonte e Bibliografia:

The Economist – Big country, big pay cheques European bank compensation, comparing apples to oranges – Finantial Times
Association of Executive Search Consultants (AESC)

In natural optimism and happiness, Brazilians remain unbeatable – Brazilian Bubble
Brazil Surprises with the Best Salaries in the World for High Level Executive Positions – Bluesteps
Brazil salaries just “too high” for some foreign banks – Tilt
China bids to become a major aircraft innovator – Tilt
Brazilian government taking a big chunck from a $100.000 salary – Masterclass Brazil


Comentários»

No comments yet — be the first.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: