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“Nunca contrate alguém acima dos 40” 19/01/2016

Posted by Pedro Carvalho in Acima dos 40, Editorial.
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Já há algum tempo tenho apoiado altos executivos, ajudando-os a trabalhar com os desafios em suas carreiras e abrir novas oportunidades de crescimento profissional e pessoal. Naturalmente, quando se fala em altos executivos, quase que por definição, está se falando sobre trabalhadores mais velhos, em geral acima dos 40 anos.  Porém, o clima corporativo nas contratações de hoje parece continuar a ignorar os trabalhadores mais velhos por uma série de motivos. Recentemente encontrei um interessante debate acadêmico sobre este tema em um espaço para debate no blog do The New York Times, onde diversos profissionais discutem sobre o porquê que empresas americanas têm muita dificuldade para que abraçar uma força de trabalho mais Senior.

De acordo com Peter Cappelli, diretor do Centro de Recursos Humanos Wharton School, trabalhadores mais velhos contribuem muito mais ao trabalho do que os os mais jovens. Eles têm melhor desempenho em uma ampla gama de áreas, trazem habilidades maduras e muitas habilidades interpessoais, normalmente são mais conscientes, atendem melhor, e assim por diante. Como diz Cappelli, “Embora se possa supor que os trabalhadores mais velhos custam mais, na verdade estes valores que os trabalhadores mais velhos recebem estão relacionados à experiência — o que afeta o desempenho.”

Alguns dos colaboradores do blog notam que o desempenho não muda depois de uma certa idade. Em contrapartida, Laurence Kotlikoff, professor de economia na Universidade de Boston, diz que os picos de produtividade nos 40’s declina gradualmente com a idade. No entanto, o problema real para a maioria dos empregadores, ou mais especificamente, a maioria dos gestores, é que eles não sabem como lidar com subordinados mais velhos. Este é um problema que muitos sentem: ninguém vai contratar seu pai ou sua mãe. É como Cappelli explica:

“O motivo real que empregadores parecem preferir candidatos mais jovens tem a ver com a percepção de seus supervisores, que muitas vezes se preocupam sobre como administrar seus subordinados mais velhos: Como posso controlar quem tem mais experiência do que eu, como faço para motivá-los quando eles estão menos preocupados com a promessa de promoções ou com a possibilidade de serem despedidos? Gerenciar trabalhadores mais velhos, de fato, não requer nenhuma ciência especial, mas requer uma abordagem mais colaborativa que respeite a expertise e abrace seus interesses.”

Jean Twenge, professor de psicologia de San Diego State University, observa que há alguns desafios com a força jovem de trabalho também. Ela observa que a geração de trabalhadores mais jovens tendem a ser mais auto-confiantes, ter maior auto-estima, assertividade e narcisismo, que são características que tendem a servir-lhes bem em uma entrevista de emprego, mas pode criar problemas no trabalho como a auto promoção de um sentimento e excesso de confiança e arrogância; “Pessoas narcisistas tendem a assumir muitos riscos, levando ao fracasso, e são impulsionados a reagir com raiva e agressividade quando criticados.”

Então, qual é a solução para os trabalhadores mais velhos à procura de uma nova oportunidade? A resposta é a mesma que venho dando nos meus editoriais anteriores (há algumas sugestões de leitura ao final deste editorial).  Ademais: venda seus pontos fortes. Promova sua experiência, confiabilidade, trabalho intenso, ética e habilidades interpessoais. Também demonstre sua flexibilidade, mostre que você pode se adaptar como colegas mais jovens. E tenha a postura de oferecer sua expertise ao invés de “buscar uma vaga”. Talvez você possa pensar em oferecer seus conhecimentos sob uma forma de consultoria, assim o empregador pode tirar proveito de sua experiência sem ter que se preocupar com questões como: “Como posso gerenciar meu pai?” Não tente competir com a forma de abordagem deles, mas ao contrário, faça uma lista de seus valores que agregam à organização e assim utilize seu próprio método de abordagem.

 

Até a próxima edição!

Partner – in-sight

Se você quer mais informação, veja  minhas sugestões de leitura:

Comentários»

1. Eudio Braz do Amaral - 01/08/2010

Parabens Pedro Carvalho,

pelo conteudo executivos acima de 50 ANOS–reflexao que agrega valor e cria estrategias para lidarmos melhor com essas
questoes de vida e carreira…

Grande abraco

Eudio Braz do Amaral–eudioba@uol.com.br

2. Ricardo - 07/08/2010

Pedro,
Interessante e apropriado seu texto sobre as dificuldades de contratação de pessoas com mais de 40.
Respeito os profissionais citados, mas, tenho uma percepção um pouco diferente.
A menos que o termo “dificuldade em gerenciar um subordinado mais belho” seja um eufemismo, a verdade é que os mais jovens, pela falta de experiência, sentem-se inseguros e com receio de perderem o cargo.
Além disso, há também a questão dos custos. Teoricamente, por estarem mais próximos da aposentadoria, podem representar, para a empresa, despesas adicionais com plano de saúde, aposentadoria etc.
Uma pena, pois a “juniorização” cada vez mais nas empresas tem levado à deteriorização da qualidade das relações e do trabalho final.

3. ALCIDES BETTIOL JUNIOR - 17/08/2010

Pedro bom dia,

Parabéns pela escolha do tema que é sempre atual.

Concondo com as sugestões acima e, entendo que seria importante propor material que convidasse os gestores a pensar sobre a importância de contar com colaboradores de mais de 40 anos em suas equipes.

Entendo que existe espaço para a montagem de times onde profissionais jovens e seniores posam contribuir com o sucesso da organização.
Caberá as empresas (gestores) encontrar um modelo para utilização das compet~encias desses profissionais e, formas de incentivá-los a alcançar seus objetivos, que provavelmente são diferentes.

4. Antonio - 10/09/2010

Parabens pela clareza nas ideias. Todos temos que pensar qua a idade é inexorável para todos. Não podemos nos matar aos poucos com o decorrer dos anos. A morte vem de uma vez só!
Acredito haver uma distorção do mercado de trabalho neste sentido no Brasil. Todos os jovens serão mais velhos um dia. A produtividade e a competencia não é medida somente pela idade.
As empresas estão perdendo a chance de ancariar mão de obra mais barata, menos exigente, melhor preparada e dificil de ser encontrada. Experiência, maturidade, honestidade, ética e fidelidade não se compra na prateleira!
Claro que a juventude é maravilhosa e necessária em qualquer organização, mas não se deve dispensar
o velho sábio que irá ser responsável por equilibrar as tensões do dia a dia.
Além disso ele serve de exemplo, todos gostam de bons exemplos! Todos gostam de boas histórias.
Agora eu pergunto: quem tem mais histórias? O jovem ou o mais experiente. Empresários: pensem nisto!

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